segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carta ao amigo oculto

Quando irrompe uma dificuldade,
no céu dos pensamentos
as idéias são como nuvens
e as emoções como tempestade.

Nessas horas em que o peito se aperta
e todo olhar ao redor é em vão
não há consolo, não há um ombro...
logo quando mais se precisa.

E se a vida fosse como o mar
a tristeza seria onda.

Mas também há aquele que socorre.
Que estende o braço prum corpo caído
e o suspende, e lhe presta auxilio...
que ausculta o peito ferido.

Pra este eu faço reverência,
Pois este diz o que ninguém tem coragem
em vez de se esconder...

E por mais que doa forte,
Seu dizer contém presença
de verdade.

E verdade é luz no céu dos pensamentos.



13-02

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O retorno de Melquíades

- What do you see when you don't see anything? (Deleuze)




Pela calçada que tantos andastes, agoras deslizas pela esperança branca que sobrepassa o cinza-esquizofrênico e a negra desilusão transmitida no dia-a-dia doentil e endêmico. As cores da vida são frutos de Kairos. As cores da morte são divindades de Chronos. Adiciona-se o branco no negro e obtém-se o cinza. O sobreviver como parte da existência. O sofrer quando necessário para a transcendência do ordinário. A descrença sofridamente sobrevive. A consciência é despertada: Aparício observa tudo enquanto toma um mate bem quente em seu paradeiro - já é suficientemente letrado para saber que cada exílio carrega um prazo. Acusam-no. Quem? Difícil de encontrar. Situam o conforto por desconhecer o exílio. Esquecem da renúncia. Diziam que não sobreviveria. Agora, depois de aproximar-se da amiga solidão, aguarda o retorno de Melquíades. Tornara-se, tal qual o amigo que está prestes a retornar, quase um cigano; sem a habilidade de prever o futuro, no entanto. (02.09.12)