segunda-feira, 23 de julho de 2012

Divinas barbaridades

Foste criado sem pai. Quanto à sua mãe, dizem que foi virgem. Cresceste à época do Império Romano. Bebeste cálices de vinho e dividiste um pão entre muitos. Foste, como teus irmãos, traído. Alguém era preciso trair para que tu pudeste ser proclamado filho do Soberano. Cometeste um atentado contra à vida; foras, assim, libertado. Fizeste aquilo o que teu solitário Pai consideraria heresia. Mesmo assim, proclamam-te como aquele que nos libertou. Como legado, deixaste a moral para conduzir teu povo, a descrença na materialidade do ser, dúvidas naquilo em que deveríamos fazer. Aqueles que ousam padecer n'alguma cruz, tal qual tu fizeste, para se tornar alguma espécie de martírio, estão sujeitos às pedras que possivelmente serão lançadas pelos teus fiéis pecadores. Provavelmente os mesmos que outrora contigo fizeram. Fúnebres passagens - arcas, anjos e outras tantas barbaridades - são documentadas em um livro chamado de sagrado. Em teu santo nome, guerras e destruição. Decretaram a morte do teu pai - em meio àqueles que te mal diziam, um corajoso alemão decretara aquilo que já se sabia: nós, nossos valores e nosso criador nascemos tortos. Seres imperfeitos, cadáveres ou, por assim dizer, nascidos mortos. 

Um comentário:

Hudson Neves disse...

Bonita sua maneira de contar essa história, caro amigo. volte outras tantas vezes. um abraço!