sábado, 22 de agosto de 2009

Do sonhar nas nuvens

N’outrora, naquela Lisboa de ultramar,
Dentro de uma taberna qualquer:
Vi Bocage, seus versos a declamar,
Face aos olhos d’uma formosura de mulher!

E Camões? Onde havia de estar?
Pois também o vi, ó gigante do versejar!
Sua barba a coçar: bendita a força que o fez!
O que fez foi celebrar, foi avisar seus reis.

E com aquele que dizia,
Que o poeta finge “descaradamente”,
Aprendi que possível era,
Fazer versos como quem sente.

Tais foram os poetas:
Delirantes, beberrões e amantes;
Que fizeram de sinapses incertas,
Versos não menos palpitantes!

Mas esta viagem havia de acabar:
No fundo, no fundo eu sabia;
Pois na alvorada, aqui é hora de acordar.
E lá no sonho, bem... no sonho não me parecia.

22/08/09

10 comentários:

Paula Tejano disse...

"Que fizeram de sinapses incertas,
Versos não menos palpitantes!"


Linda esta passagem, amigo do exilio.

A boemia de Voltaire me faz ter sensações semlehantes...

ana embriagada disse...

tua inspiração atravessa mares e nuvens, querido. compõe cenários inéditos sem desgastar as palavras. que recebas meu comentário como o primeiro sorriso da manhã deste sonho.

Quaresma Quatorzevoltas disse...

Só há poesia quando o sonho a rodeia. E num salto aos céus com a força desses versos é possível viver a Lisboa de ontem. Beber todos os vinhos que não se pode, esporrar todas as mulheres, mais do que nos cabe, cambalear por ladeiras em noite de boemia, até cair num sono profundo embalado pela lírica de Camões e a satírica de Bocage. Para acordar no peso do dia seguinte a cuspir em toda a corte!

Saravá Poeta !!

posseiro das palavras disse...

Esse é o primeiro poema que leio com a palavra "sinapse"!
Não achei que palavras desse estilo pudessem ser versadas, mas ao que parece o exílio torna as pessoas cada vez mais competentes... ou loucas, como preferir. uhahahuahua
Parabéns.

Paula Tejano disse...

Quem és tu, ó poeta
que na ausência da carne
se põe a cortejar mulheres em sonhos?

Poetar é tambem vivenciar..
é esporrar mulheres em vida,
é desprezar a fantasia como última saída...

Como bela puta que sou,
prezo pelo homem que em vida jorrou.

Paula Tejano disse...

(em homenagem ao amigo Quaresma Quatorze contra um)

Zé do Trilho disse...

Deleito-me com o versejar do poeta,
fruto do exílio, escravo das palavras. Como não admirar tão bela vida, embebida de sonhos e mestres, corroborada pela marvada e coroada pelo o melhor dos pecados capitais. Assim, não me custa novamente anunciar, oh Janeiro, porque não experimentar?
Talvez preferisse quatorze contra um, oh covardia! Posseiro embriagado de arretadas ardorosas, já fui! Quatorzevoltas no terço em plena quaresma, paguei!
Hoje lembranças, memórias acessadas e trilhadas por tão belo poetar.

Salve, salve, exilado!

ana embriagada disse...

tá bombando, hein...!

Poeta do Exílio disse...

Vejo que o nobre Quatorze Contra Um, está a gerar controvérsias.
Uma vez que a imagem mais recuperada foi "esporrar em mulheres."
Neste instante a mesa do exílio entra em polvorosa e começam a arremessar laranjas uns contra os outros, num caos total e ejaculante!

Kelton L. da Silva - disse...

excelente o blog, muito boa a diversidade de estilos e temas

sou "aluno-amigo" do felicio (zé do trilho)que me indicou esse blog

o endereço do blog que eu tenho de poesias é http://kmusicasepoesias.blogspot.com/
ficaria honrado se meu blog fosse lido por alguns de vocês e ainda mais se eu tivesse a oportunidade de paricipar desse brilhante blog que acabei de ler

valeu felicio!

não sei como deixar um comentário mais amplo sobre o blog em outro lugar (sou péssimo em informática)então deixei meu comentário aqui mesmo sobre o blog