segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ao traunseunte desconhecido:

Lembranças se esvaireceram, porém aquela noite chuvosa reservou a ele algo inesperado. Talvez esse o motivo de permitir aqueles segundos um espaço exclusivamente gravado no ar. Ar, era isso que precisava quando após as sequentes taquicardias, conseguiu proferir palavras advindas das profundezas do cordis. Lógica, não, este não é um atributo do orgão vital, o poço de sentimentos. As cousas do sentimento não passam por esse tipo de análise cartesiana, não segue linearidade ou qualquer espécie de método. Surge inspirado, rápido como a luz, os versos são declamados desprovidos de forma e métrica, apreendido e, simplesmente, proferido. Assim contou-me antes de partir, seu espírito completo, energia celestial. "A maior abstração de nossa existência só é plena quando compartilhada"... Disse com convicção! O exato evento, este, como supracitado, coube ao ar zelar. Contudo, o poeta conta esses vestígios, por eles a mente atribuiu-se de entender, ao limite, deixo os passos de cada batida trilhar pacientemente a compreensão.

3 comentários:

Maria Bonita disse...

Do âmago, ao poeta

“A maior abstração de nossa existência só é plena quando compartilhada” palavras que saltam da boca do poeta e em vez de seguirem o fio dos neurônios tomam o rumo contrário, acertando aquele que há tanto esperava por tal carícia. O órgão inflava com cada palavra que o atingia, e sua dimensão oprimia aqueles encarregados de suprir o ar de suas células. Ar, elemento que faltou aos corpos que se postavam um diante do outro. Sim, a pluralidade da matéria, entretanto, naquele momento deu-se algo tão singular, seus espíritos agora completos sentiam seu órgão vital bater numa única freqüência. Entenda-se! As cousas do sentimento não são para serem entendidas, resguardo-me a gravar com brasa na memória de meu tempo o momento exato que em que senti o ar escapar de meus pulmões. “E deixo os passos de cada batida trilhar pacientemente a compreensão.”

Versículo de Souza disse...

Com felicidade enorme vivi suas poesias. Vivi de forma literária no trilho dessa bonita integração. Percorri alguns desses momentos como um moleque travesso bisbilhotando pela fechadura, com uma sutil diferença. Só queria ter certeza de que josé maria fora um só nome mas também fora sólido, humano e propenso a se desmanchar no ar... Sobretudo também fora um espírito que vive até hoje nos verdejantes campos de regiões dantes contestadas, pois o que é incontestável sobrevive, apagando todo não e se une às certezas "coracionais". Gêneros diferentes que se completam num só.. Lembro-me agora, não disfarço, da angústia prazerosa e quase febril que senti nos versos daquele grande poeta Tiririca ao cantar para Florentina de Jesus...

Zé do Trilho disse...

Eis um momento sublime, suspiro de uma bela noite. As estrelas brilham e a lua nasce cheia, clareia a noite, o esplendor da abóbada celeste fica completo assim como os espíritos daqueles indíviduos. A energia celestial esblandece com o sereno, um sorriso fraterno acompanhado de um olhar singelo, toques suave os levam a plenitude do abraço.

Soube destes detalhes em sonho, neste eu voava, sentia que era o próprio ar...