terça-feira, 21 de julho de 2009

Cordel Faediano [trecho]

Vou versar pra quem quiser
Cordel muito do turista
Nossa visita ao nordeste
Um punhado de sulista
Aportamo em Fortaleza
Com ânsia de natureza
Em busca de águas limpas

Sra. Kika e Fabíola
Deram pretexto de estudo
Convenceram os pais que a ANPUH
Era um pouco além do tudo
Esperaram férias de julho
Arrastaram Júlia de embrulho
E me aliciaram pra escudo

Papo muito do absurdo
Mas no fim apruveitamos
Com olhar muito do atento
A tudo observamos
Quanto aos seminários
Recebemos certificado
E esse assunto nós pulamos

A tapioca alvejamos
Do cearense nativo
Kika com 7 lumbriga
Foi logo cumprando 10 kilo
Um bucado de carne-seca
Pra nipo-brasileira
Baião de dois e cachaça de litro

Um lugar muito do lindo
Numeado Morro Branco
Ao som de “Iolanda”
Fomos nos arrepiando
Ao ver falésias mágicas
Brotar de suas fendas águas
Que o chulé iam curando

Lenda diz que é um tanto santo
Bótar o pé no seu líquido
Num ranca só chêro odioso
Também purifica o espírito
Formação de areias várias
São mais cores que emboladas
Dos vaqueiros nordestinos

[...]

4 comentários:

posseiro das palavras disse...

Brilhante!
Que Cordel amigável. Mal posso esperar pela continuação.

Sr. Versículo de Souza é das mentes mais fantásticas desse recanto de escritores.

Que vontade de comer uma tapioca... vou entrar em contato com a kika, huahahuahuahuauha

Aprendiz de Pastor disse...

Quantas palavras belas neste espaço virtual! Há tempo que não o visitava e não sabia que haviam, agora, tantas almas sábias e talentosas escrevendo nele . Sinto-me até tentado a abandonar meu pasto e o delicioso sol do inverno para ficar horas e horas dentro de casa gozando da leitura destas prosas e versos. Parabéns a todos!

Zé do Trilho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zé do Trilho disse...

Em um click certeiro,
acessei página correta,
no dia e em hora certa,
deliciei-me com tal cordel,
história de fortalezas,
lembrou-me de um cavaleiro.

Os devaneios de Quixote,
acompanhados de Sancho Pança,
fez-se proceder com a dupla,
que carregou de lambuja,
a realística sonhadura,
do cordelista que nos conta.

Prazer literário dominou-me,
aqui no planalto central,
em terra de Sarney e Temer,
acabei por chapar-me em escarpas,
banhar em gélidas corredeiras,
gritar o "FORA" na imensidão.

Eis que por aqui concluo,
dantes de forrozear,
nas terra da política,
o sertão não virou mar,
guardarei meu belo chapéu,
pois não tenho para quem tirar.


Salve, salve, cordelista!