sábado, 17 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Semiótica do amor
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Intensidade
O medo paralisa e a ansiedade atropela
Hoje cá estou, assombrada por estes sentimentos...
Calafrios percorrem meu corpo...
Arrepios... Movimento...
O que será?
Melhor não pensar...
Viver, deixar acontecer...
Ousar?
Melhor escrever, serenar...
Acalentar a parte boa dessa confusão que faz a vida valer a pena...
Bianca Velloso
13/10/2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
O Peixonauta e os devaneios de uma mãe esquisitinha
Bianca Velloso
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Luccas and me
sábado, 6 de outubro de 2012
Tears and saints
Emil Cioran, Tears and Saints
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Kafka
Franz Kafka.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Um conto sobre a pesca
Apesar do frio, nada de peixe ainda. Os ânimos já se exaltam e as notícias
dão conta de duas graves desavenças no mar. Falam em troca de foguetes
entre barcos que disputavam o mesmo cardume.
É triste ver os semblantes abatidos. Homens de cenhos cerrados de olhos no
mar, com os ouvidos prontos para o alerta dos olheiros. Esses últimos,
velhos (e têm que ser, pois são os que enxergam o peixe embaixo d´água do
alto das rochas, perto da cruz )que deveriam estar perto de um fogão à
lenha, mas estão em seus postos ,tiritando e rezando em voz baixa.
Quando chega um barco, as pessoas correm para o trapiche. Pode ser que
esse tenha tido sorte - não entra nas cabeças locais, que não se trata de
sorte apenas, mas de tecnologia, pois embarcações maiores, equipadas com
sonar, estão voltando carregadas. Mas eles preferem se esconder atrás de
frases do tipo: meu avô sempre pescou assim e sempre deu certo, por que
deveria eu mudar ?Então, ao se aproximarem mais do canal, a ponto de verem
os semblantes dos embarcados, o desânimo volta ante a tristeza expressa
nos mais velhos, e a revolta nos mais novos.
O engraçado é que quando chegarem os peixes, o padre, que nunca vi
ajudando a remendar uma rede ou tirar água de um bote, vai rezar missa na
praia e dar um jeito de dizer que a responsabilidade da pesca ter sido boa,
é das orações feitas na sua igreja. E claro, das doações. É o mesmo papo de
sempre: puxar a tainha para minhas brasas.
É a chegada anual dos abutres.
Primeiro o clero, fantasiado de púrpura, com a cruz, o turíbulo e os
meninos de branco cantando baixinho. Sob o manto da caridade, as maiores
tainhas são desviadas para a igreja. Nem os caras do caminhão frigorífico
se atrevem a dizer não aos peixes do padre.
2012 e essa instituição de assassinos, ainda mantém sua influência e sua
espada suspensa sobre as comunidades mais primitivas. Eles temem que Deus
não lhes forneça mais o alimento do mar, se não alimentarem os inúteis
servidores daquele se proclama o vigário de Cristo na Terra.
Depois chegam as velhas, se empurrando e empurrando os outros aos gritos,
exigindo aquilo que acham ser seu direito só por serem velhas. Normalmente
trazem as meninas mais crescidas com elas. É quase uma oferta de troca:
minha neta pelos teus peixes.
Nada de novo, pois já a cândida Eréndira teve uma avó assim. Realmente
não é de se estranhar que em breve veremos essas mesmas meninas se trocando
por um baseado, uma carona ou uma prenda qualquer.
Esses dois grupos são os piores, uma vez que escolhem o que levam. No
entanto não costumam demorar, de formas que acabam sem atrapalhar muito.[
Isso sem contar que sempre ficam um dou dois nos porões - a postos, com os
olhos para cima, no aguardo do pagamento-enquanto uma garota de nome
impronunciável, entra de vestidinho no barco, para escolher os peixes.]
Como sabes, também sou defensor da prostituição. As prostitutas, além de
espalharem prazeres, cumprem um papel social. Defendem a virtude das moças
casadoiras, dos tarados que existem pelo mundo. (gente como uns e outros,
por aí, que eu conheço).
Mas antes que me perca, volto ao trapiche, pois é ali que se dá o ato
final.
O povo cerca o trapiche. Uns querem olhar apenas. Outros querem filmar,
fotografar e comentar. E há os que querem alguma vantagem, seja em peixe ou
bebida.
O fato é que a multidão quer chegar perto, então deixa apenas um corredor
estreito para as caixas. Se trabalha, tendo que vencer obstáculos, tendo
cuidado com uma criança aqui ou um vira latas ali. Chega uma hora que o
peão se irrita. E é irritante mesmo ter alguém na frente, atrapalhando o
andamento do serviço.
Depois quando um cara, exausto, com fome, com sede, com frio e já tendo
visto seu quinhão diminuir, indo parar nas mãos de quem não fez nada para
merecê-lo, atira uma caixa cheia em direção aos pés de um curioso, o chamam
de grosso.
Procuro me manter afastado, afinal nem gosto muito de comer peixe.
Mestre Jonas.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
poema para um amor bobo
para te escrever
pedi ajuda ao velho barreiro
pois esperar a inspiração da primavera
é tempo demais
e tempo demais já passou
no rádio jazz
goles no gargalo
para o poema de amor que virá, ou que já está aí
apenas com vontade
o que acontece que só te vejo sob a luz do sol?
quero te ver sob o luar
amanhã não tem lua
não importa
vamos passear?
Camilíssima
lua nova deste agosto
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Por nós (o sonho que não será realidade)
e o motivo da sua beleza,
somos o sol que lá no céu desponta,
e mais...
Somos o povo que um dia acorda,
e com força vai e rompe a corda,
somos a gota d'agua que transborda,
e mais...
Nós somos o vento que flui das montanhas,
que na sua alma se entranha,
e mesmo que a gente perca, a gente sempre ganha,
e mais...
Nós somos um vinho já envelhecido,
e um povo amadurecido,
que cresceu, viveu e vai morrer,...
por nós.
Osmar L. Neves
18/11/1980
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Canção do vento
levou seu sorriso,
seu resto de vida,
sua alma, sua dor.
Eu quero essa cor,
que cobre o seu rosto,
que leva e me traz,
e me enche de amor.
Os corpos se unem,
mas as almas divergem
e gritam chorando de dor.
Eu quero essa flor,
essa flor que é tua alma,
que em outrora da tua vida,
na minha vida brotou.
Amei isto tudo,
sua alma,
seu corpo,
seu jeito de amar,
que o vento levou.
Agora eu imploro,
imploro ao vento,
que traga o passado,
pra a você voltar.
Na vida das vidas,
no sonho dos sonhos,
nas noites de luar.
Janeiro de 1976.
Osmar L. Neves
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Quero ajudar
e colocar a minha pedra
no lugar exato e na hora certa:
Quero conter a pressa de ajudar,
deter os passos vãos e as mãos sôfregas,
ordenar minhas paixões de desajustes,
ser vigilante, compreensiva,tenaz.
Deixar no grandioso edifício a minha pedra
com a mão segura para que ela não vacile
e role nos espaços, tombando com um ruído soturno,
feita escombro, antes de ser coluna..
Quero deixar segura a minha pedra
Altos frisos a revestirão,
esculpidos por sábias mãos alheias.
Mas, pequena e anônima, direita e firme,
ela estará lá dentro ajudando.
Quero ajudar a construir o mundo futuro,
o mundo sem fascismo e sem miséria,
luminoso, rasgado, justo.
Quero permanecer aberta
e colocar a minha pedra
no lugar exato e na hora certa.
Maura de S. Pereira
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Divinas barbaridades
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Considerações sobre o mesmo evento ilusório
A tal trilha era no meio de um mato alto, em boa parte do percurso, e subia um belo de um morro, e somente atrás deste podíamos avistar a praia vizinha: a praia da galheta. Bem, Aurora é uma bela moça de pele branca, boa altura e cabelos escuros e cacheados. Adora esse tipo de atividade. O que ela não previu enquanto planejou a aventura foi o mau tempo que encaramos. Quando iniciávamos a trilha havia sobre nós um sol respeitável, porém o acompanhava um vento forte e traiçoeiro. Não tardou para que caminhássemos sob água e sobre lama. No entando, isso em nada diminuiu o prazer da caminhada. Observamos paisagens lindíssimas, experimentamos uma fruta, uma espécie de goiaba em miniatura – chamada Gabiroba. E, de maneira pessoal pudemos experimentar um contato muito pessoal com a natureza circundante. De quebra, na volta conhecemos o Bento. Um jovem falante e bem humorado que nos narrou algumas histórias daquelas matas. Coisas sobre antepassados de alguma cultura indígena e alguns lugares ritualísticos.
Aurora veio
e finalmente começou o dia
atravessou a mata
a chuva e a lama,
e também muitas pedras
pedras grandiosas, inclusive.
depois da aurora fez-se noite
e ficou a sensação
de alguma ausência.
*Qualquer semelhança com algum nome citado no texto não passa de mera coincidência.
terça-feira, 29 de maio de 2012
"Confidência"
Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No úmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
Mia Couto
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O ser e a roda
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Mais nada
sexta-feira, 16 de março de 2012
O teatro do absurdo
for um palco,
e se tudo em
que acreditamos
for absurdo,
e se as nossas
crenças forem enganosas,
o que será de nós?
E se tudo
que foi ensaiado
for em vão,
e se tudo
o que foi ensinado
estiver simplesmente
resumido entre
o sim e pelo
complexo não,
o que será de nós?
E se tudo
estiver acabado,
e se a cena do teatro
estiver acabando,
o que seria de nós se não existisse a paixão?
Aplausos.
Se a vida
for mesmo um palco,
gente entra,
gente sai,
há ainda muito a ser ensaiado:
A vida nos prega cada peça...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Carta ao amigo oculto
no céu dos pensamentos
as idéias são como nuvens
e as emoções como tempestade.
Nessas horas em que o peito se aperta
e todo olhar ao redor é em vão
não há consolo, não há um ombro...
logo quando mais se precisa.
E se a vida fosse como o mar
a tristeza seria onda.
Mas também há aquele que socorre.
Que estende o braço prum corpo caído
e o suspende, e lhe presta auxilio...
que ausculta o peito ferido.
Pra este eu faço reverência,
Pois este diz o que ninguém tem coragem
em vez de se esconder...
E por mais que doa forte,
Seu dizer contém presença
de verdade.
E verdade é luz no céu dos pensamentos.
13-02
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
O retorno de Melquíades
Pela calçada que tantos andastes, agoras deslizas pela esperança branca que sobrepassa o cinza-esquizofrênico e a negra desilusão transmitida no dia-a-dia doentil e endêmico. As cores da vida são frutos de Kairos. As cores da morte são divindades de Chronos. Adiciona-se o branco no negro e obtém-se o cinza. O sobreviver como parte da existência. O sofrer quando necessário para a transcendência do ordinário. A descrença sofridamente sobrevive. A consciência é despertada: Aparício observa tudo enquanto toma um mate bem quente em seu paradeiro - já é suficientemente letrado para saber que cada exílio carrega um prazo. Acusam-no. Quem? Difícil de encontrar. Situam o conforto por desconhecer o exílio. Esquecem da renúncia. Diziam que não sobreviveria. Agora, depois de aproximar-se da amiga solidão, aguarda o retorno de Melquíades. Tornara-se, tal qual o amigo que está prestes a retornar, quase um cigano; sem a habilidade de prever o futuro, no entanto. (02.09.12)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Movimentos
sábado, 31 de dezembro de 2011
é coisa de esconder, de guardar;
e enquanto não amadurecer...
só se deve mostrá-lo em sonho.
E mesmo no sonho há restrições!
Se alguém vier depreciá-lo,
Mesmo sendo pessoa sonhada,
e dizer: carece de boas fundações.
Não! Não o fazeis, pessoa sonhada!
Cuidai! Não é sonhado, o poema...
Além do que, cada poema é uma estrada...
E pode ter uma vida como tema!
Entretanto, sendo assim o guardadei.
Quando o mesmo maduro for,
Já deve expô-lo! E o dispor, e
Por ventura, se vier um ser para
O poemeto maldizer,
Pensai, autor, pensai resignado:
Certamente o poemeto já está maturado!
Não estaria sua beleza ligada a seus versos naturais?
Ou devo excusar-me alegando questões laterais?
23/12/2011.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Transmitiram todas as nuances
Bailaram pelos meus cabelos
Flutuo
O artista pegava pelo ar as notas com seus ouvidos
E com suas mãos transmitiu em óleo
Amarelos em Dó, vermelhos em Sí
E azuis em Sol
Ele fizera notas virarem planetas e pessoas em meios tons.
A meus olhos não agradaram, porém vi de novo.
Mirei distintamente
Aquela mistura de tons em música e cores em notas
Que em meus olhos e meus ouvidos passaram e em meu corpo envolveu
Notas e tons dançando em minha volta
Cores que tocam e notas que colorem minha alma
Escrito por Lina em 23/12/2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Certezas do duvidoso profeta Kafka

Mergulho na imensidão dos pensamentos que são arrastados pelo fenômeno das idéias opacas - d´uns confusos sonhos - que ainda restam. O perfume da Menina Má amada paira no ar e o livro pára na cabeceira. Quando possível, o acordar se faz; depois do contato com transeuntes oníricos, no entanto, renasce a convicção de estar duvidando: e se não houver esperança?
- Há esperança, diria Franz Kafka, mas não para nós.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Ponto-ação ou lupanares da meia-noite.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
só quisemos apenas amor, amar-nos,
e entre tantas dores se dispôs
somente a nós dois ser malferidos.
Quisemos o tu e o eu para nós,
o tu do beijo, o eu do pão secreto,
e assim era tudo, eternamente simples,
até que o ódio entrou pela janela.
Odeiam os que não amaram nosso amor,
nem o outro nenhum amor, desventurados
como as cadeiras de um salão perdido,
até que em cinza se enredaram
e o rosto ameaçante que tiveram
se apagou no crepúsculo apagado.
Pablo Neruda - Soneto LXII
terça-feira, 15 de novembro de 2011
A Nova Ordem:
Os povos livres
Os povos livres
Com a chama lançada o fogo se alastrou pelos quatro ventos da Terra. Na volta do controle da produção – os (as) trabalhadores (as) (a princípio apenas de subsistência) – passa-se a ver que a imagem na parede da caverna é apenas sombra; agora já enxergam a luz; logo enxergariam a saída. Após essa primeira etapa desse processo – o qual talvez só Isso pudesse vislumbrá-lo como um todo de uma pequena parte – decidiram por ocuparem as fábricas. E assim o fizeram. Uma após outra passavam a ganhar vida novamente tendo como alma os (as) trabalhadores (as)! De fato tudo apontava para uma revolução! E mais! Uma revolução sem armas, iniciada por simples gesto e pela palavra embutida no ato!!!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
O Estranho ser que caminha adiante
O estranho. Aquele ser que caminha lá, ali, logo adiante de mim. O estranho que não tem ainda corpo definido, que és ainda fruto de toda dúvida e incerteza. O estranho me dá califrios. Mas porque o estranho? Não o conheço. De onde vem, pra onde vai? O que quer? Ou não quer? É o estranho que me causa estranha estranheza do....es..tranho? Inominável sensação de um desconforto prazer. É angústia e também desejo. Sobretudo, escravo da curiosidade. Se não entendo, desdenho. És-me estranho. O que dizem na TV. És-me estranho o que vejo em você. És-me estranho a apatia no mundo. É estranho o túnel ficando escuro no seu fim. És-me estranho o que está por vir. És-me conhecido o estranho lá, ali, logo em mim.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Labirinto
De um lugar sem ter ,
Num espaço sem ser,
No disvirtuar-se referenciais,
Não sem rancores e resignação ,
Conjugando-se o escárnio sócio- existencial ,
Quotidiano ,
O júbilo sócio-univérsico ,
Segundal ,
Num misto sublime do sobre-viver ,
Vou-me , às gargalhadas , me fodendo .
A foder .
- Edmundo Arruda.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Sedução
Formosa você se fez.
Presente, penetrando,
No âmago d’eu !
Sem pedir licença, sem
Respeitar limites,
Desafiando-me a saltar
Numa bela aventura inóspita.
Paraquedista do amor
Em terras ignotas.
- Edmundo Arruda.

